Animais atropelados em nossas estradas. Os números e as estatísticas disponíveis são desconexas ou são fruto de esforços pontuais de pesquisadores e ONGs que procuram, de alguma forma, mensurar essa triste realidade brasileira e mundial. Centenas de milhões de animais silvestres são atropelados nas estradas do Brasil.
Alguns pesquisadores afirmam que o número de atropelamentos anual seja da ordem de 2.100.000. Esse cálculo veio de um primeiro levantamento (2014), realizado pela Universidade Federal de Lavras. O pesquisador Alex Bager percorreu 30 mil kms de estradas pelo Brasil no intervalo de 1 ano (2018/2019), encontrando 529 animais mortos pelo caminho. Com base nas ocorrências desse universo de estradas, foi feita então, a projeção do número final de 2.163.720 animais nas estradas do país inteiro. A malha rodoviária é estimada em cerca de 2 milhões de quilômetros de rodovias e estradas (números de 2019).
Esses números não levam em consideração pequenos anfíbios, répteis e aves (sapos, cobras, pássaros), que se incluídos, chegaríamos ao absurdo número de 475 milhões de animais silvestres mortos por atropelamento, anualmente no Brasil.
A depender da região do país, as ocorrências aumentam assustadoramente. Durante um monitoramento de 1161 kms das BRs 262, 163 e 267 – Mato Grosso do Sul, no intervalo de abril de 2013 a março de 2014, foram registradas 1124 ocorrências. Veja na tabela a seguir as espécies e seus tristes números:
Cachorro-do-mato | 286 |
Tatu-peba | 252 |
Tamanduá-bandeira | 136 |
Tamanduá-mirim | 120 |
Capivara | 108 |
Tatu-galinha | 82 |
Anta | 36 |
Mão-pelada | 30 |
Veado | 16 |
Quati | 14 |
Cateto | 12 |
Tatu-de-rabo-mole | 9 |
Lobo-guará | 8 |
Jaguatirica | 7 |
Cutia | 5 |
Gambá de orelha Branca | 5 |
Raposinha | 5 |
Gato-palheiro | 3 |
Outiço-caixeiro | 3 |
Furão | 2 |
Macano-prego | 2 |
Porcomonteiro | 2 |
Bugio | 1 |
Irara | 1 |
Lontra | 1 |
Total | 1124 |
Enquanto as concessionárias e os governos municipais, estaduais e federais não ajustarem acordos ou convênios, para que se registre toda e qualquer ocorrência de atropelamento de animais silvestres nas estradas, continuaremos manipulando dados de inúmeras fontes e com métodos diferenciados de coleta. Essa dinâmica da “informação desencontrada” parece agradar aos representantes do povo nas diversas esferas de governo e, também, aos concessionários, já que estatísticas oficiais produziriam reações mais críticas da sociedade e, por consequência, mais gastos.
Alguns esforços merecem ser destacados. Muitas das estradas pedagiadas já oferecem passarelas verdes ou passagens de fauna que, combinadas com cercas orientadoras, acabam por levar o animal a utilizá-las. E a repetição desse hábito, ensina ao resto da fauna como interagir com a estrada.
Com a concessão das rodovias e a inclusão no contrato da necessidade de proteção da fauna, os aspectos econômicos parecem estar sendo contornados e nossas estradas vem sendo recheadas com as passarelas mas, isso ainda é mínimo em relação aos números observados e ao tamanho da malha rodoviária.
O DNIT diz que são realizados, pelo menos, 18 programas de monitoramento de atropelamentos da fauna, em cerca de 5500 kms da malha federal (6,1%), envolvendo 200 pessoas e R$55 milhões de investimento. Mas os números finais ainda vão demorar para conclusão. É de estranhar essa dificuldade de tabulação de registros no momento atual da tecnologia.
Nós, campistas e caravanistas, que rodamos por todos os cantos desse país, estamos habituados a ver essa triste realidade. E sentimos falta de um recurso que permita o registro dessas ocorrências. Atualmente, o único APP voltado para esse fim é o “Bicho na BR“. Gostaria de pedir ao amigos de estrada que instalem nos seus celulares esse APP e alimentem com fotos e coordenadas, sempre que presenciarem um animal atropelado. Vamos criar uma teia de contribuição para qualificar as estatísticas que levem a medidas corretivas.
Você encontra o animal atropelado na estrada, estaciona seu veículo com cuidado e segurança, identifica a espécie dentro das opções acima e faz o registro com a foto (até 3 fotos). As coordenadas são registradas automaticamente. Para isso você precisa autorizar o uso do GPS nas configurações do aplicativo. Não se coloque em risco. Caso não se sinta confortável para fazer o registro por questões de segurança, siga em frente.
Vamos entrar nessa luta?
Até Breve e Boas Estradas