Turismo sobre Rodas. Se você já rodou pelo Brasil com trailer, motorhome, camper ou van adaptada, sabe: o que separa uma viagem tranquila de um perrengue é, quase sempre, infraestrutura. Lugar seguro para pernoitar, acesso viável para veículos maiores, pontos de apoio, campings preparados… Sem isso, o destino até pode ser lindo — mas fica difícil de aproveitar.

E é justamente esse ponto que entrou no radar em Santa Catarina. Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa propõe a criação do Programa de Apoio ao Caravanismo em Santa Catarina, com foco em incentivar o turismo de motorhomes e trailers no estado.
O que está sendo proposto (e por que isso importa para quem viaja)
O deputado estadual Antídio Lunelli apresentou um projeto para apoiar o caravanismo — termo usado para a modalidade de viagem em motorhomes, trailers, campers e vans adaptadas.
Na prática, o projeto prevê que o Governo de Santa Catarina possa incentivar ações como:
- Criação de novas rotas turísticas voltadas ao turismo sobre rodas
- Implantação de pontos de apoio e áreas adequadas para estacionamento e pernoite
- Melhorias de acesso, além de apoio a campings e infraestrutura
- Estímulo a eventos e parcerias com o setor privado
Para nós, do Nas Estradas do Planeta, isso conversa direto com a realidade da estrada: quando existem regras claras e estrutura mínima, todo mundo ganha — viajantes, moradores e o comércio local.
O “olhar de estrada”: quem viaja o ano inteiro faz a economia girar
O caravanismo é uma tendência mundial. Nos Estados Unidos e na Europa, o turismo em motorhomes movimenta bilhões de dólares por ano, com milhões de famílias viajando de forma itinerante. Durante a pandemia, o setor cresceu forte por ser uma alternativa mais flexível e com mais contato com a natureza.
E tem um ponto que vale destacar, porque é a essência do argumento: caravanista não passa correndo — ele consome no caminho. O deputado resume isso em uma fala bem direta:
“Estamos falando de famílias que viajam o ano inteiro, que consomem no comércio local, abastecem, frequentam restaurantes e conhecem várias cidades em uma única viagem. Se organizarmos essa atividade, com estrutura e planejamento, Santa Catarina pode se tornar referência nacional no turismo sobre rodas também.”

Quando o estado (e os municípios) enxergam isso, abre espaço para uma mudança de postura: sair do “onde esse pessoal vai parar?” e ir para “como receber bem e com organização?”.
A lei cria gasto obrigatório? Em que pé está agora?
De acordo com o deputado a proposta não cria despesas obrigatórias. A ideia é estabelecer diretrizes para o Estado organizar o setor, estimular investimentos e aproveitar melhor o potencial econômico do caravanismo.
Quanto ao andamento, o projeto segue para tramitação na Assembleia Legislativa — ou seja, ainda precisa passar pelas etapas internas até virar lei.
O que a gente, como caravanista, gostaria de ver na prática (quando isso sair do papel)?
Aqui entra nosso olhar bem pé-no-chão: “incentivar” é ótimo, mas o que muda o jogo de verdade é como isso se traduz na ponta.
Quando se fala em pontos de apoio e áreas adequadas para pernoite, o básico que costuma fazer diferença é:
- Local seguro e bem sinalizado
- Regras claras de uso (tempo, horários, limites)
- Estrutura mínima (quando houver): água, descarte adequado e, em alguns casos, energia
- Integração com o entorno: comércio, atrativos e serviços por perto
Isso ajuda a reduzir conflito, melhora a experiência de quem chega e ainda espalha o turismo para além dos roteiros tradicionais.

Até Breve e Boas Estradas



